Secretário anuncia fechamento da Escola do Bartira

A Escola do Bartira será fechada parcialmente no final deste mês e totalmente até o final do ano. Pais e moradores fazem abaixo assinado para evitar o fechamento, mas secretário garante que somente ordem judicial para reverter a decisão

O comunicado é que a partir do dia 23 deste mês, a escola Municipal Nossa Senhora Aparecida, do distrito do Bartira, irá funcionar apenas no período matutino, e no dia 31 de dezembro será fechada por completo.

A secretaria Municipal de Educação já havia enviado um ofício ao Ministério Público de Rolândia comunicando o fechamento total da escola a partir do próximo dia 23, porém diante da revolta da comunidade a administração decidiu adiar o encerramento das atividades da instituição para o final do ano, mas sem possibilidade de retorno em 2019.

Em coletiva de imprensa, o Secretário de Educação, Claudio Pinho, revelou que a maioria dos 54 alunos, 48 do Ensino Infantil, passará a frequentar a escola Luiz Real no distrito de São Martinho, e seis alunos da Educação Infantil permanecerão no Bartira, transferidas para o CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil) Rita Teodoro após reforma.

 

O secretário destaca que a decisão de fechar a escola vem sendo discutida com o corpo técnico da secretaria há cinco meses. Ele garante que também o ministério público e os vereadores já estariam a par da possibilidade de fechamento da escola e sabiam deste estudo. “Eu informei o presidente da Câmara e pedi para que avisasse todos os vereadores”, aponta.

Claudio entende que o principal motivo do fechamento não é a economia com as despesas, mas as péssimas condições que o prédio apresenta. “As crianças correm risco em permanecer no local”, lamenta.

Ele acredita que seria preciso construir um novo prédio e ressalta que o custo passaria dos 500 mil reais, podendo chegar a um milhão, a construção de uma nova escola. “O governo não libera esse recurso devido à pouca quantidade de alunos, e por se tratar de uma escola de pequeno porte”, garante.

Na noite desta terça (10) uma reunião foi realizada com cerca de 70 pessoas da comunidade do Bartira, convocada pela secretaria de Educação Municipal de Rolândia. O secretário, Claudio Pinho, conta que anunciou o fechamento da escola, mas afirma que não foi possível passar todas as informações, pois alguns presentes o vaiaram e não o deixaram explicar o que seria feito.

A moradora da área rural do Bartira, Cleia Navarro esteve na reunião e disse que não aceita o fechamento da escola. Ela relata que tem um filho de 10 anos na instituição e afirma que a comunidade não foi informada com antecedência sobre a possibilidade de fechar a escola. “Nos enfiaram a decisão (de fechar a escola) goela abaixo e nós não vamos aceitar”, aponta.

Cleia acredita que a redução do período da tarde é uma enorme perda, pois é o contra turno com o reforço dos alunos que tem maior dificuldade. Para a mãe, o problema não foi solucionado e os pais não vão desistir de evitar o fechamento da escola. “Vamos fazer um abaixo assinado e contamos com a participação de toda a comunidade”, convoca.

O secretário de Educação garante que a decisão é irreversível pelas condições do prédio e afirma que o abaixo assinado não evitará o fechamento. “Apenas uma decisão judicial para evitar essa transferência dos alunos”, enfatiza Claudio.

ASSISTA A ENTREVISTA COM O SECRETÁRIO

A entrevista foi transmitida AO VIVO através do facebook.com/manchetedopovo e ao assistir à declaração do secretário, Cleia se diz revoltada, pois acha um absurdo ele dizer que a transferência será boa para a socialização das crianças. “Esse anúncio  oficial é ridículo, em nenhum momento ele estudou a nossa realidade, estamos revoltados (...) dizer que no lugar pode ser feito um centro para idosos ou capela mortuária é ridículo já não conseguem sequer manter uma pequena escola”, finaliza.

 

OUÇA A ENTREVISTA COM A MORADORA CLEIA EVANDRO NAVARRO

Confira a relação de custos da Escola do Bartira, apresentada pela Secretaria de Educação

A escola atende 54 alunos, a secretaria apresenta que cada aluno custa ao município R$14.473,71 por ano, e R$1.206,14 por mês. O secretário de educação, Claudio Pinho, explica que o custo elevado é devido ao pequeno número de alunos.

Rodrigo Stutz

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