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PARTE 02 _ Alunos e professores discutem na ocupação do Colégio Kennedy e PM é chamada

Na manhã desta segunda (24) a Polícia Militar esteve na frente do Colégio Estadual Presidente Kennedy chamada por um professora e uma funcionária da escola
Segundo Tenente Hugo, ocorreu uma discussão entre alunos e professores e um boletim de ocorrência foi registrado. A diretora da escola, Maria Goretti de Freitas Gomes, relata que esteve na escola de manhã com alguns professores e funcionários para realizar uma reunião com os alunos na tentativa de explicar os direitos dos professores que são contra a grave e a ocupação e fazer um acordo com eles.
Segundo a diretora a reunião tinham sido autorizada pelos alunos da ocupação, mas pessoas de outros estabelecimentos tumultuando a reunião. "Pessoas que não são daqui incitando os alunos contra nós professores (...) fui agredida verbalmente por gente de fora e nos tocaram da escola (...) não contentes com isso vieram para o lado de fora para nos enxovalhar", acusa.
Gorete alerta que irá até o Conselho Tutelar, ao Juiz da Vara da Infância e do Menor e a Ouvidoria do Estado para solicitar a reintegração de posse.
A professora que registrou a queixa na Polícia Militar afirma que foi convocada para vir até a escola. Ela não quis ser identificada, mas fala que os alunos permitiram a entrada dos funcionários no local, porém no decorrer se exaltaram e ela foi ofendida por uma aluna e a mãe desta aluna. "A aluna disse que pessoas que não estavam no movimento de greve não mereciam o diploma que tem (...) ela disse também que a escola está mais limpa agora do que quando os funcionários limpam", aponta.
Felipe é aluno do Colégio Estadual Presidente Kennedy e diz ser contrário à ocupação: "A maioria dos alunos do movimento é hipócrita. Aqueles que falam que limpam melhor que os funcionários eu já os vi jogando lixo no chão várias vezes", relata.
Ele garante que a maioria dos alunos que está na ocupação não sabe sequer o que é a PEC. "Se você sair perguntando eles vão desviar (do assunto) e acabar te expulsando daqui", afirma.
Já a aluna Marina é favorável ao movimento e explica que o objetivo da ocupação é protestar contra a reforma da educação. "A reforma não seria ruim na teoria, porém na prática a turma da manhã teria que estudar a tarde também e a turma da noite uma hora a mais para poder compensar esse turno integral (...) mas o nosso colégio, como todos sabem está metade caindo, cheio de escoras e várias salas não podem ser usadas (...) Nós não temos estrutura para ter ensino integral", ressalta.
Marina ainda explica que de acordo com a reforma quando o aluno chegar no segundo ano deverá escolher entre as disciplinas específicas como filosofia, arte, sociologia ou educação física, ou estudos técnicos já direcionados para a profissão que o aluno quer ter. "Eu estou no segundo ano e não tenho capacidade de escolher a minha profissão para o resto vida", revela.
Sobre a PEC, Marina entende que se aprovada, o governo irá cortar parte dos recursos com a educação prejudicando mais ainda o ensino no pais.
Os alunos não se manifestaram sobre a ocorrência em específico. A redação está à disposição para que o movimento se manifeste sobre o Boletim de Ocorrência e as acusações de agressão verbal.
Na parte da tarde os alunos entraram em contato com a redação do MANCHETE DO POVO solicitando espaço para dar a versão deles. A reportagem voltou no local e gravou um vídeo AO VIVO no qual a aluna Laura lê um texto garantindo que professores e funcionários não tinham o direito de invadir o colégio sem a autorização do movimento de ocupação. "Foi uma falta de respeito com o nosso movimento e a nossa luta", continua o texto.
Conforme o texto lido pela aluna as pessoas de fora do colégio eram professores de outras unidades que também lutam pela educação.
No relato eles confirmam que ocorreu sim um debate entre professores favoráveis e contra a greve, e alunos favoráveis e contra a ocupação. "Porém, não houve somente agressão verbal do lado dos professores a favor da greve (...) Todos falaram coisas que não deveriam ser ditas e também tivemos várias interpretações erradas (...) Tudo isso poderia ter sido evitado se eles tivessem pensado que a muitos outros lugares em nossa cidade para fazer uma reunião", segue.
O texto finaliza dizendo; "Nós ocupamos o colégio, e eles invadiram".