Política

Médicos da UTI do São Rafael pedem demissão em massa

Um comunicado do Hospital informa as autoridades de saúde do município de Rolândia e do estado do Paraná que a partir desta terça (01) os serviços médicos da UTI do São Rafael serão encerrados devido ao pedido de desligamento massivo dos médicos plantonistas que não recebem há seis meses. Alguns estão sem honorários há mais de um ano

A Central de Regulação de Leitos, 17ª Regional de Saúde, CRM (Conselho Regional de Saúde), Promotoria Pública de Saúde do Município de Rolândia, Secretaria Pública de Saúde de Rolândia, SAMU e Vigilância Sanitária foram comunicados na manhã desta sexta (27) sobre o encerramento do serviço médico da UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do HSR (Hospital São Rafael).

A Comissão de Administração que está à frente da instituição há pouco mais de dois meses informa no comunicado que devido às dificuldades financeiras do HSR não é mais possível viabilizar a continuidade dos serviços médicos da UTI e devido à falta de pagamento dos plantonistas, seis dos oito médicos pediram demissão.

Com apenas oito dos 10 leitos em funcionamento atualmente apenas seis ainda estão em uso e segundo a responsável técnica da UTI, Drs. Fabiana P. Niyama Mansano, a unidade não está mais recebendo novas internações e assim que os pacientes forem sendo transferidos ou tendo alta os leitos serão desativados.

Ela destaca que para a segurança e continuidade dos tratamentos destes pacientes é urgente que eles sejam transferidos até domingo (30).

Os médicos estão sem receber desde maio deste ano e a médica responsável pela UTI está desde novembro de 2014 com os honorários atrasados. Segundo a Dr. Fabiana, sem a previsão de pagamento os plantonistas pediram demissão em massa e o fechamento da UTI se tornou inevitável. "Praticamente ninguém consegue mais permanecer aguentando tanto tempo sem pagamento (...) Houveram duas reuniões com a equipe administrativa que alega não ter condições de realizar  nenhum pagamento (...) nem mesmo o correspondente a apenas um mês dos plantões", ressalta.

A médica relata que os aproximadamente 25 funcionários da UTI provavelmente não serão demitidos, mas realocados em outras áreas, porém o clima e a tristeza entre as pessoas que se dedicam a este setor é evidente nos corredores do hospital. "Infelizmente a suspensão do atendimento da UTI em Rolândia é inevitável (...) A equipe como um todo e também a administração está desolada e é com pesar que informamos a suspensão dos atendimentos (...) Muito triste tudo isso para nós que temos feito o impossível para manter esse setor aberto, mas não houve outra alternativa", lamenta.

Dos oito médicos dois se propuseram a manter o serviço até que a situação financeira estabilizasse, mas a Dra. Fabiana desabafa: "É humanamente impossível cumprir uma escala de 24h de serviço ininterrupto um mês inteiro com apenas duas pessoas (...) precisamos sobreviver e pagar nossas contas de alguma maneira", finaliza.

A Dra. garante que nenhum paciente ficará sem médico 24h  enquanto estiver internado no Hospital São Rafael.

O diretor Clínico do hospital, Silvio Ferreira Filho, relata que devido ao corte de algumas verbas do governo estadual e federal ocoreram os atrasos no pagamento dos médicos plantonistas.

Ele destaca que existe a promessa do estado enviar R$200 mil por mês para a contratação de profissionais e também de o município de Rolândia firmar convênio para o pagamento de plantonistas, porém já há três meses que o hospital tenta atender as solicitações de documentação do estado e até agora nem o recurso do estado e nem do município foram efetivamente destinados para a instituição. "Estamos tentando viabilizar estes recursos até o dia 30 para evitar o fechamento da UTI", relata.

A diretora administrativa do hospital, Marisa Ferracim, ressalta que esta diretoria está fazendo o possível para que acorra no máximo uma paralisação temporária da UTI e não o fechamento do setor.