Sociedade

Cooperados de Rolândia passam por dificuldades financeiras

Trabalhadores da cooperativa ARRR Ambiental, de Rolândia, ganham cerca de 500 reais por mês para separar o material reciclado da população
(Foto: Rodrigo Stutz )

Entre os principais problemas apontados, Rafael Cezar Fernandes, presidente da ARRR (Ambiental Resíduos Recicláveis Rolândia) relata a falta de fiscalização do poder público que permite aos catadores independentes recolherem os materiais nas casas sem licença, e nem equipamento de segurança, e ainda armazenarem em suas casas sem nenhuma condição sanitária. “Não pagam impostos e nem cumprem nenhuma norma”, destaca Fernandes.

Segundo ele os catadores passam antes do caminhão para recolher o material das casas. “Geralmente eles vêm de carro e até de caminhãozinho pegando todo o material”, lamenta.

Ele faz um alerta também para as diversas residências nos bairros e cita moradores da Rua Ouro, na grande Vila Oliveira, que acumulam material reciclado nos quintais sem a mínima higiene e fiscalização, juntando rato, baratas, mosquitos que colocam em risco a saúde, deles próprios e dos vizinhos. “Na cooperativa direto tem a fiscalização da vigilância sanitária e da dengue, e por isso sempre trabalhamos o mais correto possível, porém nestas casas parece que ninguém faz nada ou fazem vista grossa e deixam passar”, aponta o presidente.

Outro problema é a falta de cooperação da população que, de acordo com Fernandes, menos de 50% separam o reciclado dos demais lixos urbanos.

 

Localizada ao lado da PR170, próximo ao posto do Km7, a ARRR fundada há mais de 12 anos atualmente tem seis cooperados e trabalha ao todo com aproximadamente 12 pessoas todos os dias para receber, separar, prensar e vender os materiais reciclados que chegam da cidade levados pelos caminhões da Sanetran (Saneamento Ambiental S.A.), empresa licitada que terceiriza o serviço de coleta seletiva e de lixo em Rolândia.

Para ir até o trabalho os cooperados contam com o serviço de transporte que nos últimos meses foi pago através de verba destinada pelo COMDEMA (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente), porém Fernandes alerta que este valor dá para apenas mais alguns meses e a partir de então não sabe como os cooperados farão para trabalhar já que o aterro figa longe da cidade. “Quero agradecer ao COMDEMA e destacar o apoio incondicional da cidadã Cristina Pieretti que sempre vem nos ajudando, se não fosse ela a cooperativa já tinha fechado”, ressalta.

Rafael Dias, Diretor de Vigilância em Saúde, responsável pelos departamentos de Vigilância Sanitária, Epidemiológica e Ambiental explica que o departamento tem cadastrado cerca de 18 pontos em que moradores armazenam materiais reciclados nos quintais, além de mais 77 locais estratégicos como borracharias e ferro velhos.

Ele garante que a cada 15 dias os agentes fazem vistorias para confrontar problemas relacionados ao Aedes aegypti e animais sinantrópicos como ratos e baratas.

O diretor destaca que, muito além de um problema de fiscalização, a questão dos catadores de reciclado é uma demanda social que deve ser vista de forma mais ampla.

Luiz Antônio Soares, secretário de Meio Ambiente de Rolândia, afirma que irá intensificar a fiscalização das empresas de coleta para detectar possíveis irregularidades.

 

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