Sociedade

Eletricista aceita desafio e transforma pneus velhos em obras de arte sacra

Considerado um dos maiores entraves ambientais, o descarte de pneus velhos ganhou um aliado inspirado no interior do Paraná
(Foto: Imprensa Sociedade Rural do Parana)

Um eletricista de Formosa do Oeste, no Noroeste do Estado, está transformando pneus que encontra nos depósitos de lixo e até nas ruas em imagens sacras. Cledson de Jesus está expondo e comercializando suas imagens no Pavilhão Internacional, na ExpoLondrina 2018.

Quem chega ao estande dele no pavilhão não imagina os detalhes por trás dos santos, anjos e querubins expostos. Isso porque, a princípio, eles são idênticos a outras imagens feitas em gesso e outros materiais. Mas as diferenças são muitas, a começar pelo peso. As peças são muito leves e também resistentes. “Elas são laváveis, não quebram e podem ficar na chuva”, afirma Cledson.

Ele ressalta, porém, que a principal característica do trabalho dele é a sustentabilidade. Foi esse o conceito que o guiou quando foi provocado pelo padre de sua comunidade em meio a uma conversa sobre preservação ambiental. “Faça você!”, disse o padre ao eletricista. Isso foi há cerca de dois anos e, alguns meses depois, ele já estava produzindo as primeiras peças. Hoje, apenas um ano e sete meses depois, a fábrica já conta com 15 empregados registrados e utiliza para pintura a mão de obra de cerca de 200 famílias da região.

“Temos na fábrica três pessoas dedicadas exclusivamente ao treinamento de famílias para fazer o trabalho de pintura”, acrescenta.  Toda a pintura é feita fora da fábrica e esse trabalho tem se transformado em complemento ou até fonte principal de renda para as famílias envolvidas.  Já as imagens menores e mais detalhadas exigem uma pintura mais delicada, normalmente feita por artistas.

A produção das peças começa com a coleta de pneus ou pedaços de pneus descartados.  Primeiro eles são triturados, depois é feita  separação e descarte do arame e, em seguida, são granulados. O material granulado é então injetado nas formas ou moldes feitos em metal especial. Tudo nessa fase é feito na fábrica. Com as peças prontas, é a vez de enviá-las para a fase de pintura, aí sim fora da empresa. Nenhuma imagem é pintada na fábrica.

Cledson diz que o volume de produção varia de acordo com a complexidade das peças, mas que a média fica em torno de 3 a 5 mil unidades por mês. A criação das formas é parte mais cara do processo, enquanto a mais demorada é a pintura. A menor peça que ele produz é um São Francisco de Assis, com cerca de 12 centímetros, e as maiores são de Nossa Senhora de Aparecida, Santo Antônio e São Francisco de Assis, com 65 centímetros de altura. Os preços das peças variam de R$ 20 até R$ 150.

A empresa já tem representantes no Rio Grande do Sul e Santa Catarina e deve fechar parceira para distribuição em São Paulo. Outras formas representantes de comercialização das imagens são as vendas diretas e o porta a porta. “A aceitação do público tem sido excelente!”